Estou há milhões de anos
entre bosques e alamedas
entre ruas, entre estradas
registrando meus afrescos
Estou há milhões de anos
como o vento a soprar
viajante peregrino
num eterno caminhar...
Estou há milhões de anos
sob o céu de sol e lua
feito chuva, feito lágrima
que rola na face nua
Estou há milhões de anos
navegando intelsat,
internets, interesses
interligado ao passado
Estou há milhões de anos
vivendo naturalmente
surgindo como água na fonte
sonhando a cada nascente
Estou há milhões de anos
"entre a cruz e a espada",
entre a morte e a vida,
num jogo de cartas marcadas
Estou há milhões de anos
e não sou só mais um sinal
Sou uma marca, sou estigma
sou o pecado, o bem e o mal
Estou há milhões de anos,
aqui, sentado, com a caneta na mão
pensando que sou humano
que sente, vê cara e vê coração
Estou há milhões de anos
e, agora, pareço não existir mais
Porquanto, estarei imortalizado
por tudo que em mim tá gravado
e o tempo não pode apagar
Ainda há milhões de anos
como estrela a cruzar oceanos
num viajar decidido
Persigo a minha existencia
por uma maior permanencia
neste planeta perdido

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