29 de jan. de 2008

Um Anjo chamado Gaby

Interessante Gaby. A vida sempre irá me surpreender com as suas evidentes coincidencias, de um "pseudo" destino, que devo aprender a observar bem. Quando busquei, incessantemente, vê-la antes de partir, eu já sabia que seria uma tarefa difícil diante da falta de noticias que eu tinha dela e sem saber sequer por onde começar a procurar. Porém, a imagem que eu havia por tanto tempo gravado não me deixava um pouquinho sequer sossegado e, qualquer rosto que eu via, com qualquer pequeno detalhe que a pudesse lembrar, minha alma logo se agitava e a esperança em vê-la aumentava, por mais que eu temesse e evitasse que esse sonho viesse a se concretizar. Pois era mesmo assim. Eu desejava vê-la, mas não a queria encontrar. Busquei meio a pessoas, vitrines, nas ruas, igrejas e casas de amigos em comum. Mas... nada! Nem sequer eu conseguia saber onde e como ela poderia estar. Tudo penso e são conjecturas. São frutos de uma falta que causa amargura; um abismo, que existe e recrio, entre o esquecer e o esperar.
Mas, eis que surge o Anjo Gaby, que diante de mim sorri com toda a sua expressão. Um olhar sob sobrancelhas tão enigmáticas quanto os seus traços jovens, contidos e angelicais. Naquele momento nos tornamos amigos, com cumprimentos efusivos, como se á muito não conseguía-mos nos falar. O encontro um tanto bizarro, dentro do ônibus da linha 518, que passava pela praia, era como um milagre que meu coração esperava e festejava sem acreditar. Foi muito legal a revelação expontânea da nossa breve relação. E ainda maior é o mistério que a saudade e a intuição tenham levado tão a sério o meu desejo, ao ponto de projetar o meu sonho e o meu medo numa outra forma de percepção. Quando sentou-se a meu lado senti a sua energia que se confundia com a "outra". E era tudo tão igual: Um rosto fino e corpo delgado, seus olhos, a boca e o jeito no falar... Uma coincidência dos demônios! Ou seria dos deuses? Pensei em coincidências transcendentais. Anjos que sobrevoam a Terra ou os "fantasmas" que resistem em nós?
No céu, a quase 9 mil pés de altitude, sobrevôo os meus sonhos, confrontando com as minhas atitudes, sem saber ao certo quando voltar. Fui embora querendo ficar. Entretanto, dessa vez, nessa viagem que fiz ao Brasil, não a vi. Mas conheci Gaby, que não era "ela", mas que eu sabia que estava ali, na áurea daquele Anjo que, num gesto de compensação, tão raro quanto estranho, veio prá me consolar.