18 de jul. de 2008

Segurança Pública & Saude Publica - O que eles têm em comum?

Todos os dias ficamos sabendo de mais uma morte provocada pela incompetência e a má formação de policiais. Hoje em dia, como se não bastasse tanto, vemos nascer tantas outras formas de violência que chega a ser difícil ter que compará-las. Aliás, com a violência não há qualquer comparação. Além do mais, os elementos que promovem e dão sustento a violência é que não há mesmo como os comparar. São únicos e ainda bem. Não são pares da imoralidade, são o sacrifício da forma mais que naturalmente correta que ainda falta na consciência do homem.
As estatísticas apontam para a falta de qualificação de mão-de-obra no escasso mercado de trabalho, enquanto mostram que a qualidade na formação dos profissionais está seriamente comprometida principalmente nos órgãos que deveriam assegurar uma melhor qualidade de vida para o cidadão. Agora notem bem quanta ironia, notem do quanto é capaz, um sistema, para atingir as suas expectativas por um simples conceito de QUALIDADE E QUALIFICAÇÃO.
Sistema e conceitos que aqui me refiro, responsáveis por essas mudanças trágicas e quase irreversíveis no homem, são aquelas partes que há muito vêem o seu semelhante com um meio, uma via para o pesado tráfico de suas influências que de nada serve ao mundo que deve ser pensado de uma forma mais natural. São elementos que nascem, acontecem e se propagam meio a outros que com características e diferentes essências, acabam por se contraporem apesar da tão confundível e inevitável junção, a interminável mistura entre o trigo e o joio, o trabalho e o pão, o arbítrio e a opção.
As acusações e denuncias são quase sempre de forma ignorante, tedenciosa e precipitada e nunca trazem de concreto uma séria e descomprometida discussão. As pessoas são compelidas cada vez mais a pensar com a cabeça do Estado e as razões vão se perdendo de geração em geração. Há uma controversa harmonia entre as pessoas que já não se sustentam e se confundem em seus princípios, conceitos ou determinações. Na escola ainda falta a disciplina do auto conhecimento e as matérias ainda passadas, algumas, de forma um tanto ridícula e arbitrária, mostram o quanto se respira nesse imenso espaço cultural, a sofrível e lamentável cultura da alienação, da desinformação e da má formação.
O homem troca, vende, negocia o seu estado de consciência, o seu livre arbítrio, a sua supremacia, pela subordinada e irrepreensível condição. Condiciona-se a tudo, acostuma-se com tudo, conforma-se com tudo e se acomoda, se incomodando por vezes com aqueles que não querem se acomodar...
E, portanto, diz-se que a polícia atira antes para depois identificar a sua vítima, o que faz de forma contrária o sistema público de saúde que vagarosa e inacreditavelmente identifica suas vítimas ainda nos corredores, nas filas, nos guichés e bancos de uma suja e desprezível recepção de hospitais e clínicas; preenchendo fichas, coletando dados de uma maneira tão formal quanto ignorante, absorta e totalmente alheia ao sofrimento e a fragilidade humana. Agentes despreparados e sem conhecimento algum da área em que atuam, procuram preencher extensos questionários inoportunos e inadequados para o momento de pessoas visivelmente moribundas que nem chegam sequer a ser atendidas no consultório médico, morrendo, por vezes, jogadas pelo chão.
Qual a formação que quero prá mim? Qual atendimento e com que finalidade e intenção eu devo ser atendido enquanto um ser humano, independente de ser reconhecido como um cidadão?

“…uma motorista com um filho menor a bordo, estaciona o seu carro de maneira ordeira e regular numa berma para que a viatura policial possa passar e dar prosseguimento a uma caçada a meliantes que trafegam em alta velocidade pela via… a policia pára e metralha o carro da motorista ingenua, temerosa e bem-intencionada que vê o filho a seu lado ser morto pelos policiais bandidos, destemidos, mal-intencionados e despreparados que espalham terror e fazem da criança mais uma de suas inúmeras vitimas mortais”. E os meliantes continuam impunes e em fuga, a polícia mata inocentes e esta cena ainda muitas vezes se repetiria.

“ um pai chega ao hospital com a filha que vai dar a luz. Desesperado vai ao pronto-socorro explica a situação da filha que se contorce num extenso banco de madeira que não tem condições nenhuma de receber o seu corpo que necessita urgentemente de posições mais confortáveis e adequadas. A atendente tem mais de sessenta (nada contra) e não tem mais a ágil dinâmica que um dia pode ter sido a sua marca na incansável função (de também má formação?), não tem noção alguma de procedimentos médicos ou conhece sequer a rotina de uma urgência que exige prontidão. Entretanto, paulatinamente e sem demonstrar qualquer senso de prestabilidade e dedicação começa a indagar ao pai impaciente e inconformado,os dados da parturiente que vê o sangue a escorrer-lhe pelas entranhas, sentindo medo de morrer com o seu filho ou de ver seu filho morrer por si. “...de que interessa agora nome, morada ou numero – disse com pouco fôlego a angustiada gestante - eu só preciso de alguém prá me ajudar nesse momento...”

A quem interessa o mau atendimento nas instituições públicas e privadas, a quem interessaria a desarmonia, a falta de respeito aos direitos naturais do homem, a quem interessa os ideais e as ideias de guerra, de divisão e preconceitos?
E a quem realmente interessa a ideia de Paz , a promoção da alegria e do relacionamento sadio, humano e solidário, não pela imposição de seus falsos valores ou da hipocrisia mas sim pela sensibilidade de uma razão que é moral e inata ao próprio homem?!